Março é mês de Tereza


A teimosa e decidida Maria Teresa intéra mais um março. A vovó que faz crochê assistindo TV Senado. No ritmo de cada ponto na linha dá uma opinião sobre política, sociedade, comportamento, fé. 

É compreensiva e tolerante com tudo o que o mundo aprendeu a chamar de "diferente". Mas impliquenta com uma porção de outras coisas.

Vovó alquimista, afeita a misturas exóticas na cozinha. "Ô Rômulo, prove a
qui esse suco e me diga de que é". Impossível adivinhar tantas as frutas, cascas e folhas misturadas.

Vovó só percebeu que a velhice chegou aos 80. Hoje completa 89. "Quem tiver sabedoria que se prepare pra essa fase", aconselha.

Junto ao avançar da idade vieram as limitações e algumas doenças. Ela diz que desaprendeu a gargalhar. Está cada dia mais silenciosa na sua poltrona. "Agora faço mais é observar."

Reconhece, porém, a felicidade de ter uma família enorme no seu entorno. A romaria de filhos, netos e bisnetos dura o ano todo. Católicos, crentes, ateus, carnívoros, vegetarianos, esparrosos, mudos, cafezeiros... Cabe todo mundo na casa da vovó.

Vêm isolados ou em grupos. Quando uns vão outros chegam, num movimento tão natural quanto desordenado. São como riachos correndo para desaguar e manter perene o velho rio.

E eu só posso agradecer por fazer parte dessa correnteza. E por ter a sorte de conviver, escutar e aprender com as sabenças da vovó Maria Tereza Maia.

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