
Por Rômulo Maia de Alencar
Pio IX (PI), 25 de junho de 2018
O forró na caatinga,
É feito de muitos sons.
Instrumentos variados,
Batucada em vários tons.
Cantores, tocadores,
Nascidos cheios de dons.
Mas essa é uma festa,
Sem ingresso ou salão.
Não precisa de palco,
Deus me livre de paredão.
Acontece a céu aberto,
Basta prestar atenção.
O forró na caatinga,
Tá no assobio da cigarra,
Que na tarde quente,
Se esganiça sem amarra;
Tá no grilo, no rebuliço
da rés que se desgarra.
No piado do passarinho,
No bruguelo faminto;
Nas veredas mata a dentro,
Formando labirinto;
No calango, no tatu,
Que sobrevivem por instinto.
Tá no berro do borrego,
No blem-blem do chocalho.
No estralar da mata seca,
No gotejar do orvalho,
Tá no rude sertanejo,
Na labuta do trabalho.
Tá na pancada da enxada
Teimando contra o chão;
Na louça bem ariada,
Nas panelas, no fogão,
No cheiro pela casa
De mais uma refeição.
O forró na caatinga,
Tá no calo das mãos;
Na voz de quem rezou,
Tá em cada oração;
Na fé que fez brotar,
Cada pézim de feijão.
No pé de milho bailarino
Rebolando com o vento.
Na cantoria dos caçote,
Coral de contentamento;
No asseiro, na limpa,
Tá no desmatamento.
O forró na caatinga
Tá no tiro do caçador,
Perverso, ignorante,
Criatura sem amor...
Merecia sentir na pele
O mesmo tanto de dor.
A festa também existe
No silêncio da madrugada;
Nos pios, esturros,
Na lendas de alma penada.
No cachimbo da véia,
Que pita e dá baforada.
Tá no ranger
do armador,
Na preguiça vespertina;
Tá no estalar do beijo
No cangote da menina;
Tá nos suspiros do amor
Da paixão clandestina.
Quando uma criança grita,
Por choro ou presepada,
Podem ter certeza,
É forrozão da pesada.
A festa na caatinga,
Tá no vicejar da meninada.
É forró na caatinga,
Quando cai água do céu.
Aí é folguedos na mata,
Fauna e flora em escarcel,
A vida em tudo brotando,
O que era fel virando mel.
O forró na caatinga
Tá em vocês, tá em mim.
A festa é toda hora,
Depende de nós tudim.
Pois enquanto houver vida
O forró nunca terá fim.
Na preguiça vespertina;
Tá no estalar do beijo
No cangote da menina;
Tá nos suspiros do amor
Da paixão clandestina.
Quando uma criança grita,
Por choro ou presepada,
Podem ter certeza,
É forrozão da pesada.
A festa na caatinga,
Tá no vicejar da meninada.
É forró na caatinga,
Quando cai água do céu.
Aí é folguedos na mata,
Fauna e flora em escarcel,
A vida em tudo brotando,
O que era fel virando mel.
O forró na caatinga
Tá em vocês, tá em mim.
A festa é toda hora,
Depende de nós tudim.
Pois enquanto houver vida
O forró nunca terá fim.
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