Por Rômulo Maia de Alencar
Pio IX (PI), 26 de junho de 2018
Quando as folhas secam e começam a despencar,
Quando acaba a sombra e resta água só no olhar,
É a caatinga teimando, teimando em esperar.
Quando a cor some; o verde deixa de existir,
Mas o velho imbuzeiro segue insistente a florir,
É a caatinga teimando, teimando em resistir.
Quando não há vento e nada se balança,
Mas um olhar de fé, pro céu se lança,
É a caatinga teimando, teimando em ter esperança.
Quando o calango corre e vai se esconder,
Quando ninho é feito pra uma ninhada receber,
É a caatinga teimando, teimando em viver.
Quando falta tudo, restando mal o que comer,
E o sertanejo reza, mas se nega a esmorecer,
É a caatinga teimando, teimando em sobreviver.
Quando se olha e diz: “Tá bonito pra chover!”;
Quando cai a chuva e vem o verde, o florescer,
É a caatinga teimando, teimando em renascer.
A caatinga é um jogo de sorte e também de azar;
É calma, paciência; é a arte de esperar.
A caatinga é a vida teimando, teimando em teimar.

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