Por Rômulo Maia
A geração medo vive encarcerada. Suas casas são fortalezas; os vizinhos, estranhos; os desconhecidos, potenciais inimigos. Os filhos da geração medo não banham de chuva, não comem fruta do pé, não pisam na calçada. Têm centenas de amigos... Virtuais. Divertem-se arrastando o dedo na tela de um celular. Viajam mundo através da internet enquanto alguém lhes serve o lanche da tarde. Eles, os filhos da geração medo, não vão até a padaria comprar pão. Quando precisam sair, são levados de carro, presos a cintos, domados pelas regras da paranoia geral. Caminhar talvez seja mero impulso de um corpo ancestral que ainda não adaptou-se aos novos tempos - questão de tempo. Os filhos da geração medo habitam todos os cantos, mas concentram-se em maior número nas grandes cidades. Quando um deles visita os lugarejos onde tudo chega mais lento, inclusive o medo, o simples vira encanto. A menina passou uma semana em Pio IX. No retorno ao cárcere contou maravilhada: “Lá é muito legal: a gente pode andar a pé na rua.”

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