Por Rômulo Maia
escrito em 22 de agosto de 2016
“Vem meus menino, meus menino! Nico! Nico! Venham comer!!!” O chamado de Tia Pô ecoa mata a dentro e logo é atendido. Correndo e pulando, os soins chegam. Um, dois, vários. Um bando!
Com suas mãos ágeis , pegam o alimento que lhes é oferecido e devoram. Comem e voltam em busca de mais. Sorrindo e interagindo com os bichos, Tia Pô corta rodelas de banana e distribui. Os “meninos” se fartam.

Iniciada há quatro anos, a rotina é repetida sempre ao cair da tarde. Enquanto os homens fazem a luta no curral, ela cuida do seu tesouro. “Começou com dois e olha o tanto que vem hoje”, conta sem tirar o olhar dos soins, que agora se esparramam cheios de coceira pelas galhas de um algaroba. O semblante da educadora aposentada é de encantamento - igualzinho ao nosso, que pousou ali pela primeira vez naquele dia.
Encerrada a festa dos bichos, Tia Pô nos convida para sentar na calçada. Traz café passado naquela hora, bolinhos e bolacha. Tal qual os macacos, devoramos tudo e nos espreguiçamos nas cadeiras.
Ouso perguntar sua idade. “Não gosto de dizer não”, justifica, confessando apenas que mora na fazenda há mais de 70 anos. Adora a calmaria do lugar, onde vive com o esposo, o filho, a nora e duas netas. Poderia ter uns vizinhos, é verdade, para ter mais gente com quem conversar. Isso, porém, anda longe de ser problema. “Quando quero, vou bem aqui na casa de uns parentes. Aí, quando escurece, eles me trazem de moto.”
Falar em escurecer... Precisamos ir! Na despedida, agradeço pela tarde agradável e digo ter recarregado a bateria do meu ânimo. “Pois volte sempre que quiser”, convida Tia Pô sorrindo.
Saí daquela fazenda com a desconfiança de que conheci a mulher mais rica de Fronteiras.

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