Oxente, run! Bora correr!?




Autor: Rômulo Maia de Alencar
Dezembro de 2017

Quando o pé calça o tênis
E o tênis bate no chão,
É como se dentro da gente
Se desse uma combustão;
Estopim de uma química louca,
Que afeta cabeça e coração.

Não falo aqui de feitiço,
De droga ou de magia,
Nem de laboratórios,
Muito menos de alquimia,
Tão pouco de máquina,
Fios, robôs ou tecnologia.

Para falar bem a verdade,
Não é nada disso, mas... É!
Essa descarga invisível,
Quando entra pelo pé,
Faz química, feitiço,
Nos leva onde a gente quer.

Eu tô falando da corrida,
Esporte muito praticado;
Acontece ao ar livre,
Não tem nada rebuscado,
Basta coragem e disposição
De não querer ficar parado.

Correr é misturar sensações:
Medo e coragem de tentar;
A dor de uma contusão,
Com o impulso de levantar;
É amaldiçoar o caminho
E querer apenas continuar.

Como bem disse Chico Science,
Fera na arte de cantar:
“Um passo à frente e você
já não tá no mesmo lugar.”
O caminho é sem volta,
Trate de se preparar.

Entenda que a chegada
É o começo da revolução:
O corpo suado, ofegante,
A endorfina em profusão,
O corredor morto, acabado,
Mas sorrindo de satisfação.

“Ficou doido?” “Tá maluco?”
“Tu treina pra não ganhar?”
Responda essas perguntas,
Sem precisar se afobar:
É melhor sofrer e vencer
Ou ficar deitado num sofá?

Um passo atrás do outro,
Respiração coordenada,
Postura, equilíbrio, olhar,
O jeito ideal da pisada,
Roupa leve, tênis certo,
Água e dieta regulada.

Esses são os cuidados
Necessários ao corredor:
Sempre a busca pelo detalhe
Que dê conforto e evite dor.
Mas nada disso adianta
Se você correr sem amor.

Pois me digam se isso
Não é coisa de apaixonado:
Acordar de madrugada
Em fim de semana, feriado;
Ou passar a noite em claro
Temendo chegar atrasado?

E correr no sol quente
Ou numa manhã gelada?
Sair da festa mais cedo,
Parar de jogar pelada,
Dá um tempo no álcool,
Evitar comida pesada?

Aos que foram pegos
Pelo bicho da corrida,
Nada disso é sacrifício,
É novo estilo de vida,
O sujeito muda, claro,
Disso ninguém duvida.

Apesar de individual,
Correr é esporte coletivo.
É treinar com a turma,
Dar grito de incentivo;
É ajudar o adversário
Em momento decisivo.

Correr é mergulhar em si;
Viagem de reconhecimento.
É compassar pé e cabeça,
Respiração e pensamento;
É chegar ao limite físico,
Mas buscar forças lá dentro.

E as lembranças e feitos?
As provas disputadas,
As dores e conquistas,
As distâncias superadas;
Medalha, pace, tempo,
As marcas alcançadas.

Inspirado em Gonzagão,
Na sua Estrada de Canindé,
Eu digo: “Ai, ai que bom
“Que bom, que bom que é
Uma estrada, uma rua,
E a gente correndo a pé.

A quem diz não conseguir
Nem 100 metros percorrer,
Eu digo que se calce e cuide,
Sem tentar não vai saber.
E aqui vai um convite:
Oxente, run! Bora correr!?

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