A vida de Antônio Eugênio


A VIDA DE ANTONIO EUGENIO


Nesta vida transitória
Que Antônio Eugênio enfrentou
Andou pelo Ceará
Lá pouco se demorou
Os negócios não deram certo
Para PIO IX voltou


Aqui passou alguns tempos
Quase sem nada ganhar
Disse: eu aqui não fico
Agora vou me mandar
E vou sair sem destino
A procura de um lugar


E assim saiu sem destino
Levando sua condução
Viajando muitos dias
Foi parar no Maranhão
Por lá fez algum negócio
Mas com muita confusão


Lá demorou quatro(4) anos
No centro do Maranhão
Encontrou muitas pessoas
Que lhe deram proteção
Para trabalhar com cuidado
Sem desgostar o patrão


Dentro destes quatro anos
Não pode nada arranjar
Pois o pouco que ganhava
Só dava pra farrear
Vendo que assim não servia
Então resolveu voltar






Logo que aqui chegou
Tratou logo de casar
Foi morar num ranchozinho
Mas era seu o lugar
Botou logo uma rocinha
Pra no inverno plantar


Plantou sua rocinha toda
E o legume segurou
O milho ficou maduro
Ele pegou e dobrou
Mas deu uma chuva tão forte
Que o milho todo levou


E nesta vida sem sorte
Sem nada lhe compensar
Inventou de comprar gado
Mas nada pode lucrar
Aí fez empréstimo no Banco
Pra comprar outro lugar


E comprou um bom lugar
Que dar milho e dar feijão
Fez logo uma grande roça
E plantou muito algodão 
Pra ver se um dia alcançava
Uma boa solução


E continuando assim
Na vida de agricultor
Vinha a safra ele apurava
O dinheiro que tomou
Mas o inverno falhava
E ele se atrapalhou


Chamou a mulher e disse
Eu vou vender este gado
Vou deixar minha fazenda 
Irei morar na cidade
Quero encontrar um ramo
Que me dê mais resultado

Ligeiro comprou um bar
Tratou de negociar
Mas a mulher não se dava
Querendo logo voltar
E por essa confusão
Antônio vendeu o bar


Aí viajou pra Picos
Lá uma casa comprou
E juntou toda a família
E para lá se mudou
A casa encima do morro
Sua mulher não gostou


Morando encima do morro
Muito longe do mercado
Única vantagem que tinha
Era ser bem ventilado
Mas para fazer comércio
Nunca lhe deu resultado


E assim mais uma vez
Antônio vai se mudar
Chamou toda sua família
Pra o PIO IX voltar
Pois foi lá onde nasci
É o meu querido lugar


E portanto em pouco tempo
Pra sua fazenda voltou
Foi morar na mesma casa
Que quando saiu deixou
Mas dentro de pouco tempo
Pra cidade se mudou


E agora em PIO IX
Antônio Eugênio acertou
Veio embora da fazenda
Deixou lá um morador
Comprou uma casa boa
Dando conforto a patroa
E assim se acomodou
Comprou mais uma bodega
No mesmo dia pagou
Comprou mais um fogueteiro
Num prego dependurou
Por ser um homem decente
Ele atende a toda gente
Mostrando que tem valor


Ele vive satisfeito
Atendendo a freguesia
Atende o rico e o pobre
Todos com muita alegria
Ele vende o dia inteiro
Olhando pra o fogueteiro
Dentro da mercearia


Portanto Antônio Eugênio
Você agora acertou
E usando este objeto
Será sempre vencedor
Atendendo a toda gente
Será um homem contente
E mostrará seu valor

João Pereira
PIO IX , ABRIL DE 1983           

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