UM PORRE


UM PORRE DE TITONHO


Titonho tomou um porre
Lá na venda do Borrego
Saiu gritando exaltado
Eu de nada tenho medo
Quando foi entrando em casa
Levou um grande escorrego


Vários homens lhe pegaram
Ele ia sem ação
Botaram em cima da cama
Rolou e caiu no chão
E sua cunhada dizia
Este não escapa não


Sua esposa muito aflita
Sem saber o que fazer
Chorava e se maldizia
Com medo dele morrer
Disse: vou fazer um caldo
E dar pra ele beber


E Sinhá preocupada
Disse: eu vou lhe ajudar
Vamos cuidar bem depressa
Pra ver se dar pra escapar
Capricha bem na pimenta
Pode assim ele acordar


Fizeram o caldo ligeiro
E deram pra ele beber
Foi com muito sacrifício
Pois ele estava sem ver
Mas quando bebeu todinho
Começou a se mexer


E assim passou a noite
Rolando pra todo lado
E Risalva sem dormir
De levar tanta pesada
Resolveu armar uma rede
Pra dormir mais sossegada


Quando amanheceu o dia
A ressaca era a maior
O corpo todo doído
De fazer tristeza e dó
E ele a todos dizia
Se eu morresse era melhor


Portanto Antônio eu lhe digo
Procure se controlar
Cachaça é um bicho danado
Que gosta de maltratar
Você ainda é muito novo
Pode dela se livrar

 João Pereira
PIO IX , 27/03/84


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