A MALANDRAGEM DE PIO IX


Pio IX é uma cidade
Que tem homens de valor
Mas a sua mocidade
É um verdadeiro horror
Só vivem a beber fiado
Fazendo o pai devedor

È uma turma sem emprego
E que não quer estudar
O emprego é beber pinga
Só vivem de bar em bar
E ainda o pior de tudo
È não ter com que pagar

Lá na venda de Titonho
É o ponto de reunião
Todo dia eles se encontram
Parece uma repartição
Que os empregados comparecem
Para cumprir sua missão

Mas eles pelo contrário
Vão lá é para beber
Não conduzem numerários
E não tem nada a perder
Não tem que cumprir horário
Só tem que comparecer

O nome destes rapazes
Agora irei citar
Começarei pelo chefe
É Titonho lá do bar
Ele é a vítima do grupo
Que bebem pra não pagar

Antônio Francisco só vive
Querendo viver de bar
Mas como é amigo da turma
Tem que a todos confiar
E o resultado dele
É que breve vai quebrar



Onias comprou outro bar
Entregou a seu irmão
E como até agora
Não apareceu lucro não
Ele quer vender o bar
É a única solução

Wilton veio de S. Paulo
E instalou um barzinho
Mas como nunca deu certo
Raposa vender galinha
Em pouco tempo faliu
Acabou-se o que ele tinha

Tem Ducivaldo de Quinco
César e Ubirajara
Nunca quiseram estudar
Mas na cana metem a cara
Apreciam namorar
Trabalhar é coisa rara

Tem Datonho e Oziel
E tem Expedito Abraão
Todos apreciam o mel
Mas bebem com correção
Nunca ofenderam ninguém
Só bebem por diversão

O Chico do Paulo Pinheiro
Até que não bebe mais
Mas vive a correr num carro
Aborrecendo demais
Assombrando velho e velha
Menino, moça e rapaz

Antônio Arrais bebe cana
E nunca quer trabalhar
Só vive lá no hospital
Pra diretora paquerar
Numa ilusão verdadeira
De com ela namorar

Tem Chico do Dionísio
Que até vai a escola
Por lá faz muita baderna
E gosta é de jogar bola
Já bebe muita cachaça
Pouco liga pra escola

Luís Sávio é um rapaz
Que nunca quis trabalhar
Vive bebendo cachaça
E agora quer se casar
Mas Chaguinha é muito esperta
Vai logo lhe dispensar

Hugo de Chico Saldanha
É um rapaz muito feliz
Já namorou várias moças
Até a filha do Juiz
Mas o trabalho foi grande
Pois ela nunca lhe quis

Eloim que é talvez
O professor dos demais
Já deu exemplo pra todos
E mostrou que bebe mais
Na arte de virar copo
Ele é o mais capaz

A vida de Eleutério
Sempre foi de malandrar
Enganando um e outro
Andando de bar em bar
Mas agora tem emprego
E já pensa em se casar

Roberto com sua bossa
Só vive de conquistar
Namorando uma e outra
Mas nunca quer se casar
Pois a sua predileta
É a Kariri com K

Falar desta turma toda
É um trabalho pesado
Falta falar em Nivardo
E também em Eduardo
São eles principiantes
Mas já malandram um bocado

Ainda faltam alguns nomes
Para a lista terminar
Tem Jairo de Audomí
E tem Francisco Alencar
Este último é grande mestre
Na arte de farrear

Pra terminar tem um nome
Que eu não posso citar
E quem quiser saber dele
Terá que adivinhar:
O QUE SAI DE CASA EM PÉ
DEITADO TEM QUE VOLTAR?

Agora pra concluir
Quero meu conselho dar
Que deixem de beber pinga
De viver de bar em bar
Pois todos são muito jovens
Ainda podem estudar

Julgando ser meu dever
Observar os errados
Alguns que compram e não pagam
Outros que compram fiado.

Pio IX, maio de 1982.

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