A MAIOR SECA DO NORDESTE

Embora sem ser poeta
E pouco saber rimar
Vou falar da grande seca
Que vive a nos sufocar
Vou descrever como sofre
O povo deste lugar


Meu caro leitor amigo
Dar tristeza até pensar
Em uma terra tão boa
Que chovendo tudo dar
Ver o homem passar fome
Com a seca a lhe castigar


Faz cinco anos que não chove
Para esta terra molhar
São umas chuvinhas fracas
Que pouco dar pra criar
Mas nosso homem valente
Teima e luta sem cansar


Todo ano ele prepara
A terra para plantar
Na esperança que a chuva
Venha sua terra molhar
As vezes planta no seco
Pensando em aproveitar


É uma luta incansável
Tentando sobreviver
Quando cai qualquer chuvinha
Todos vibram pra valer
Pensando que após aquela
Outros dias vão chover


Mas raramente acontece
Chover com normalidade
Chove um dia oitenta não
Mesmo assim com raridade
Pois o normal nesta terra
É seca e calamidade


Eu não sei porque o Nordeste
É tanto assim castigado
Pois o seu povo é ordeiro
Vive do trabalho honrado
Todos acreditam Deus
E em tudo que é sagrado


Todo ano o nordestino
Faz promessa e romaria
Rogam a nosso pai eterno
E a santa virgem Maria
Pra livrarem da miséria
Dando o pão de cada dia


Mas cada ano que passa
A coisa fica pior
Todo ano chove menos
Não se ver nada melhor
Somente fome e miséria
Cada dia estão maior


Pois alem da forte seca
Tem carestia e inflação
É uma crise tremenda
Que atinge toda nação
E o governo incompetente
Não encontra solução


Aqui para o nosso povo
Ele inventou a emergência
É uma saída muito fraca
Pra quem tem inteligência
Isto não resolve nada
Tenha santa paciência


Se o governo bem quisesse
No Nordeste a solução
Com o dinheiro da emergência
Fazia era irrigação
Fazendo esta terra fértil
Produzir alimentação


Mas isto já estamos certos
É difícil acontecer
Este homem do Nordeste
Só nasce para sofrer
Cada ano chove menos
É triste seu padecer


E o mesmo apesar de forte
Está a desanimar
Muitos daqui já se foram
Noutras terras batalhar
Alguns por lá se fizeram
Outros tornaram a voltar


E é grande a quantidade
De famílias a se mudar
Vinda embora da fazendo
Pra na cidade morar
A procura de melhora
Para da seca escapar


E com tanto sofrimento
É grande a inquietação
Todo mundo insatisfeito
Só se ver lamentação
Pois falta capim pra o gado
E pra toda criação


Por que com certeza é triste
Ver os bichinhos
Lhe faltando a comida
E água para beber
O apelo é vender tudo
Se não quiser ver morrer


E apesar de encontrar
Na venda uma solução
O preço quase não compensa
É triste a situação
Pois o gado neste tempo
Não tem valorização


Para melhor lhe dizer
Como esta crise está dura
A solução é a emergência
Com salário de amargura
São 11 mil e 200
Num mês o que um homem apura


E alem do fraco salário
Ainda tem humilhação
O grande pisa no pequeno
Sem a menor gratidão
Se esquecem, que junto a Deus
Todos nós somos irmãos


Este mundo mundo meus amigos
Está mesmo em confusão
Pois só o rico progride
E o pobre fica na mão
Sem ter para onde correr
Sem encontrar solução


E agora finalizando
Isto que estou a dizer
A solução pra esta terra
Só mesmo quando chover
Pois chovendo dar de tudo
Se acaba  este padecer


João Pereira,
PIO IX, 22 DE NOVEMBRO DE 1983.

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