Um bingo em Campos Sales

Nesta nossa região
Agora tem uma nova
É dia sim dia não
Um bingo de automóveis

Dia vinte de setembro
Em Campos Sales ocorreu
O bingo mais concorrido
De todos que já se deu

Uma multidão imensa
Vinda de todo lugar
Todos na espectativa
De um carro novo ganhar

Só daqui de Pio IX
A comitiva era grande
Só não cito todos os nomes
Porque é uma lista gigante

Mas é sobre alguns deles
Que agora vou falar
Quando começaram as brigas
Como tentaram escapar

O Gessi saiu correndo
Mas veloz que uma bala
Quando encontrou os parentes
Ainda ia sem fala

Naquela agonia toda
E sem mais poder correr
O Zeca enganchou no arame
E viu o sangue escorrer

E o Chicó muito aflito
Só se lembrou da Bebê
A bolsa dos documentos
Foi obrigado a perder

O Branco peitou na cerca
E caiu estatalado
Alarmou, gente me acuda!
Porque estou baleado

E Lalá vinha correndo
Agarrou o seu cunhado
Ele disse: entrou na boca
E saiu do outro lado

Dadinho logo de cara
Entrou debaixo de um carro
Não encontrou Ubirajara
E gritou com muito esparro

Meu povo isso é o Diabo
Cadê meu filho querido
Com uma dessa eu acabo
Nunca mais marcando bingo

O Valdenor que levou
Uma carrada de gente
Diante daquele horror
Disparou rapidamente

Pegou o carro e correu
Com medo de ser pisado
E só aqui se lembrou
Que o povo tinha ficado

Raimundo Nunes e João
Filho do Paulo Pinheiro
Correram sem direção
Na estrada do Espinheiro

O Letício não correu
Junto com Júlio Roldão
Ficaram acocorados
Fazendo o que? digo não.

Luiz Alencar também
Duas cartelas comprou
Mas a carreira foi grande
Ninguém sabe onde parou

A família de Dedé
No meio da multidão
Gritando uns pelos outros
Era grande a aflição

Paulo de João Elói
É muito inexperiente
Na esperança de um carro
Enfrentou mesmo doente

E se não fosse Eloim
Ter tirado seu irmão
Tinha virado bagaço
No meio da multidão

Dionísio muito aflito
Diante de tanto horror
Ercília agarrou por trás
E sua camisa rasgou

Chico arnaldo coitadinho
Com seu tamanho infantil
Corria tão detonado
Que só bala de fuzil

Ia Luiz de Metom
Correndo muito avexado
Pensando que alcançava
Seu amigo Chico Arnaldo

Na frente de todo povo
Chico Arnaldo ia ligeiro
Dizendo ele eu consigo
Sou o que chega primeiro

Foi quem primeiro saiu
Do meio da multidão
Dizendo: se eu escapar desta
Não marco bingo mais não

E o Sr. Chico Dantas
Duas cartelas comprou
Na hora do tiroteio
Correu até que cansou

O Otacílio de Zuza
No meio de tanto horror
O chapeu caiu no chão
E lá mesmo ele ficou

O Antônio do Cartório
Que é quase um tabelião
Corria muito ligeiro
No meio da multidão

O medo era muito grande
Era grande a aflição
Ele perdeu os calçados
E ficou de pé no chão

Dr. Rubens pra escapar
Até uma casa invadiu
E Alencar Neto, sabido
Num carro logo subiu

Me disse Sebastião
Que nada lhe alterou
Mas só Deus sabe a emoção
Que com ele se passou

Nessa aventura louca
Pra ver se um carro ganhava
Foram dez carros cheinhos
Com o povo da Canabrava

Na hora da correria
Quando a briga começou
Abmael sem equilíbrio
Caiu no chão e rolou

E depois de tudo calmo
Quando ele se levantou
Estava todo ralado
E viu que o óculos quebrou

Daqui partiu muita gente
De doutor até soldado
E foi também um rapaz
Que é do Banco do Estado

Este rapaz é o Manoel
Que do bingo não gostou
Deu uma peitada na cerca
Que a cara toda ralou

Agora vou terminar
Esse caso se passou
Se tem alguma mentira
Foi só de quem me contou.

Pio IX-PI, outubro de 1981.

Este é um dos versos mais famosos de João Pereira na cidade de Pio IX-PI. É conhecido por várias gerações de piononenses e o seu maior sucesso se deve à veracidade dos fatos e ao seu teor cômico que foi dado.

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